segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pequenas grandes coisas

Ela espantava-se com a importância do cheiro, que conseguia sentir mesmo durante os períodos de ausência.

E depois a pele, que reclamava uma impressão digital específica, como um código de um cofre que só assim pudesse ser aberto.

Era ainda o timbre, que reconhecia de longe. A voz grave e constante. Às vezes também o silêncio que dizia tanto.

E depois os traços, que podia ver de olhos fechados. E a textura que sentia na ponta dos dedos mesmo sem lhe tocar.

E ouvia os seus segredos como se os soubesse de cor. Antecipava-lhe as palavras, os receios, as hesitações.

As memórias são intensas, duradouras e diferentes. São uma história que sabe de cor e que reconta a cada dia, com novos entendimentos, avançando lentamente como quem continua à espera.

1 comentário:

Anónimo disse...

Vou lendo...lendo...lendo...e relendo...aquilo que deixas em palavras num mundo completamente a parte, mas de todos nos!
Sei ler...sei fazer a minha interpretação, mas não sei a tua...ninguem sabe, apenas tu...porque tu sentes...mas acredita...também fazes sentir...nao do mesmo modo...mas fazes...

Um dia disseste que ainda estavas a começar...hoje és grande...

Todos nascemos sem saber o que ser um dia...e eu posso-te dizer...que podias não saber o que ser um dia..mas HOJE és uma GRANDE MULHER!



Digo eu que mal te conheço, mas conhecendo um pouco...que a vida soube-te educar!!!

PARABENS!!!

Desta outra afilhada da tua madrinha :P Ju

Cuida-te e continua porque adoro ler o que escreves!